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    Home»Blog»Pesca e piscicultura podem ampliar a base econômica do Amazonas, mas exigem investimentos
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    Pesca e piscicultura podem ampliar a base econômica do Amazonas, mas exigem investimentos

    Jackson Nascimento Big JoeBy Jackson Nascimento Big Joejulho 27, 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Infraestrutura, crédito e assistência técnica são apontados como caminhos necessários para fortalecer o setor

    O Amazonas abriga um enorme potencial pesqueiro, mas ainda explora pouco dessa capacidade para impulsionar a geração de emprego e renda e o desenvolvimento sustentável. A ampliação dos investimentos em infraestrutura, assistência técnica, acesso ao crédito e beneficiamento do pescado são vistos como caminho essencial para fortalecer o setor e impulsionar a piscicultura.

    Na avaliação do ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), Marcellus Campêlo, essas ações precisam deixar de ser iniciativas pontuais e se transformar em uma política permanente de desenvolvimento, capaz de diversificar a economia amazonense, sem comprometer a conservação ambiental.

    O debate ganha relevância diante do fato de que o Amazonas ainda tem na Zona Franca de Manaus seu principal fator econômico. O modelo industrial responde por mais de 130 mil empregos diretos e indiretos e permanece fundamental para o estado, mas também enfrenta constantes questionamentos de setores empresariais de outras regiões do país em razão dos incentivos fiscais. Nesse contexto, ampliar atividades econômicas sustentáveis torna-se uma estratégia para fortalecer a economia regional e reduzir a dependência de um único segmento.

    Para Marcellus Campêlo, o Amazonas reúne condições naturais únicas para transformar esse potencial em uma política consistente de desenvolvimento econômico. Ele aponta, por exemplo, a pesca como uma atividade de destaque. Além de garantir segurança alimentar para milhares de famílias, a atividade movimenta comunidades ribeirinhas, abastece mercados internos e possui potencial para ampliar sua participação na geração de renda, por meio da piscicultura e da agregação de valor ao pescado.

    “A pesca já faz parte da identidade econômica e cultural do nosso povo. O que falta é fortalecer toda a cadeia produtiva, oferecendo infraestrutura, assistência técnica e condições para que o produtor possa gerar mais renda sem aumentar a pressão sobre os recursos naturais”, avalia.

    Entre as medidas defendidas por Marcellus Campêlo está a ampliação dos programas estaduais de assistência técnica e de acesso ao crédito para pescadores e piscicultores, permitindo modernizar a produção e aumentar a produtividade. “Além disso, a construção e modernização de portos pesqueiros são fundamentais para melhorar as condições de desembarque, comercialização e logística do pescado”, complementa.

    Campêlo também aponta a necessidade de ampliar investimentos na cadeia de armazenamento e transporte, com a implantação de fábricas de gelo e câmaras frigoríficas, reduzindo perdas e garantindo maior qualidade ao produto até chegar ao consumidor.

    O incentivo à instalação de pequenas agroindústrias voltadas ao processamento do pescado é outro ponto a ser considerado. A medida permitiria agregar valor à produção local, ampliar mercados consumidores e criar novas oportunidades de emprego nos municípios do interior.

    » TURISMO SUSTENTÁVEL E DE BASE COMUNITÁRIA

    O turismo sustentável e de base comunitária também figura entre as alternativas para diversificar a economia do Amazonas, tendo a pesca esportiva como uma de suas principais vocações. Barcelos, reconhecido nacional e internacionalmente como um dos principais destinos da modalidade no país, recebe milhares de turistas durante a temporada, movimentando hotéis, embarcações, guias, operadores de turismo e diversos serviços ligados à cadeia produtiva. O fortalecimento desse segmento amplia a geração de renda no interior e demonstra como a conservação ambiental pode caminhar lado a lado com o desenvolvimento econômico.

    Para o presidente da Confederação Brasileira de Pesca Esportiva (CBPE), Regis Portari, a atividade já representa um importante vetor econômico no Amazonas e pode crescer ainda mais com investimentos em infraestrutura, qualificação profissional e fiscalização. Segundo ele, a pesca esportiva movimenta cerca de R$ 70 milhões por ano no estado, fortalece toda a cadeia do turismo e gera renda direta para comunidades ribeirinhas por meio do turismo de base comunitária, desde que o crescimento seja acompanhado por políticas de conservação, como o sistema de pesque e solte e o monitoramento dos estoques pesqueiros.

    “Quando o peixe vale mais vivo do que abatido, toda a cadeia ganha. A pesca esportiva gera emprego, fortalece o turismo, valoriza as comunidades ribeirinhas e cria um incentivo permanente para conservar os recursos pesqueiros”, afirma Portari.

    » PISCICULTURA É ALTERNATIVA

    A piscicultura também aparece como uma alternativa para ampliar a produção de forma planejada e sustentável. Experiências desenvolvidas em outras regiões do país demonstram que investimentos contínuos em infraestrutura, tecnologia, assistência técnica e organização dos produtores podem transformar reservatórios públicos em importantes polos produtivos.

    No Ceará, por exemplo, a piscicultura desenvolvida na represa do Orós consolidou-se como referência nacional ao combinar produção em tanques-rede, apoio técnico e estrutura de beneficiamento, fortalecendo uma cadeia produtiva que gera emprego e renda no interior do estado.

    Embora a realidade ambiental do Amazonas seja diferente da encontrada no semiárido nordestino, a experiência evidencia que políticas públicas permanentes e planejamento de longo prazo são fatores decisivos para consolidar a atividade econômica.

    Na avaliação de Campêlo, esse é o caminho para o Amazonas ampliar sua base produtiva sem abrir mão da preservação ambiental. “O desenvolvimento sustentável não significa escolher entre proteger a floresta ou gerar empregos. Significa fazer as duas coisas ao mesmo tempo. O Amazonas tem condições de transformar suas vocações naturais em oportunidades para a população, fortalecendo atividades que respeitam o meio ambiente e ampliam a economia do estado”, afirma.

    A visão, segundo ele, passa por compreender que investimentos em infraestrutura produtiva, logística e assistência aos trabalhadores da pesca não devem ser interrompidos. Ao contrário, precisam ter continuidade para consolidar uma política de desenvolvimento capaz de fortalecer a pesca e a piscicultura como novas matrizes econômicas, complementando a importância estratégica da Zona Franca de Manaus.

    FOTO: Caio de Biasi

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