


MANAUS – O tabuleiro político do Amazonas sofreu sua mudança mais drástica na noite deste sábado, 4 de abril de 2026. Em um movimento que pegou aliados e adversários de surpresa, o governador Wilson Lima (União Brasil) e o vice-governador Tadeu de Souza (PP) renunciaram simultaneamente aos seus cargos. A decisão, tomada no limite do prazo de desincompatibilização eleitoral, altera definitivamente o curso da administração estadual e antecipa as peças para o pleito de outubro.Com a vacância imediata dos cargos de governador e vice, o comando do Executivo estadual passa às mãos do deputado estadual Roberto Cidade (União Brasil), atual presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).A Reviravolta de Wilson LimaA renúncia de Wilson Lima representa uma guinada em seu discurso oficial. Até poucas semanas atrás, o agora ex-governador assegurava publicamente que cumpriria seu mandato até o último dia, em 31 de dezembro de 2026. No entanto, a estratégia política pesou mais alto: Lima deixa o cargo para viabilizar sua candidatura ao Senado Federal.Em sua carta de renúncia, classificada como “irrevogável e irretratável”, Wilson Lima destacou que o gesto atende estritamente à legislação eleitoral. “Agradeço ao povo amazonense pela confiança e pela parceria institucional que mantivemos com a Assembleia Legislativa”, afirmou o político, reforçando que o efeito da saída é imediato.Tadeu de Souza e a vaga na Câmara FederalO vice-governador Tadeu de Souza também seguiu o caminho da desincompatibilização. Ao renunciar, Souza confirmou sua intenção de disputar uma vaga como deputado federal em Brasília. Em nota, ele classificou a saída como uma decisão de “serenidade e responsabilidade”, prometendo continuar sua atuação na vida pública em “novas frentes”.Roberto Cidade no PoderA ascensão de Roberto Cidade ao Palácio da Compensa coloca o presidente da Aleam em uma posição de enorme influência a poucos meses das eleições. Cidade, que já vinha consolidando sua liderança no Legislativo, agora assume o desafio de gerir a máquina estadual e garantir a estabilidade administrativa em meio ao fervor eleitoral.Analistas políticos apontam que a dupla renúncia não apenas redefine o governo, mas serve como o “tiro de largada” oficial para as articulações de 2026, onde Wilson Lima tentará levar sua aprovação do Executivo para as urnas em busca de uma cadeira no Congresso Nacional.

