​A espera de mais de quatro décadas para quem depende da conexão terrestre entre o Amazonas e o restante do Brasil acaba de ganhar um capítulo decisivo. Nesta terça-feira, o ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou oficialmente o lançamento do edital para o asfaltamento do primeiro lote de 30 quilômetros no emblemático “trecho do meio” da BR-319.​A rodovia, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), é um dos gargalos logísticos mais sensíveis do país. Inaugurada na década de 70 e abandonada logo em seguida, a via tornou-se um símbolo de isolamento, onde veículos de carga e passeio enfrentam atoleiros intransitáveis durante o período de chuvas na Amazônia.​O Plano de Recuperação: Investimento e Prazos​O projeto anunciado pelo governo federal não se limita apenas aos 30 km iniciais. O plano de melhoramento abrange uma extensão muito maior, compreendida entre o quilômetro 250 e o 590 — justamente a área onde a pavimentação original desapareceu sob a selva.​A licitação autorizada atinge o montante de R$ 678 milhões. Confira o cronograma:​Publicação do Edital: 10 de abril (Diário Oficial da União).​Abertura das Propostas: 30 de abril deste ano.​Foco Inicial: Trecho entre a localidade de Realidade e o município do Careiro (AM).​O Desafio Ambiental e Logístico​A BR-319 é o epicentro de um debate complexo. De um lado, o setor automotivo e de transporte de cargas clama pela rodovia como alternativa ao caro e lento transporte fluvial. De outro, especialistas e órgãos ambientais alertam para o risco de desmatamento em áreas preservadas e o impacto em terras indígenas que cercam o “trecho do meio”.​A pavimentação desses primeiros 30 quilômetros representa uma “inflexão” na postura do governo, tentando equilibrar a necessidade de infraestrutura de transporte com o rigor das exigências ambientais.​Para o motorista que se aventura pela região, a pavimentação significa o fim de uma era de incertezas. Se as promessas se converterem em asfalto, a BR-319 deixará de ser um “corredor de lama” para se tornar, finalmente, a espinha dorsal logística do Norte brasileiro.

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