A campanha Maio Laranja amplifica o alerta sobre o avanço da violência sexual contra crianças e adolescentes no Amazonas. Segundo dados do Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Estado registrou crescimento de 184% nos casos registrados no Estado, entre 2021 e 2023. Enquanto o Brasil registrou aumento de 12,5% nos casos entre 2021 e 2022, a Região Amazônica teve crescimento de 26,4%, mais que o dobro da média nacional.O alerta foi feito pelo Raiff Matos (PL) em pronunciamento no plenário da Câmara Municipal de Manaus,nesta segunda-feira. Durante o pronunciamento, Raiff destacou que o problema deixou de ser um caso isolado e passou a representar uma crise silenciosa dentro das famílias e comunidades.“Estamos falando de crianças que, neste exato momento, estão sofrendo e dando um verdadeiro grito de socorro. Isso não é um caso ou outro. É um sistema silencioso de violência que cresce diante dos nossos olhos”, declarou.Segundo os dados apresentados pelo vereador, o número de ocorrências de violência sexual contra crianças e adolescentes no Amazonas saltou de 321 casos, em 2021, para 914 registros em 2023. A faixa etária de 10 a 14 anos concentra o maior número de vítimas, com crescimento superior a 200% no período.Ao longo do discurso, Raiff reforçou que o Maio Laranja deve servir como mobilização permanente da sociedade para enfrentar o problema. O vereador também lembrou que já apresentou diversas leis voltadas à proteção da infância e adolescência em Manaus, defendendo maior efetividade na aplicação dessas medidas.“Não podemos mais fechar os olhos para isso. A sensação hoje é de impunidade. Existem leis apresentadas por mim e já aprovadas nesta Casa para fortalecer a proteção das crianças, combater conteúdos nocivos e ampliar mecanismos de prevenção, mas muitas delas acabam esquecidas dentro das gavetas do Executivo”, afirmou.O parlamentar destacou ainda que o combate à violência sexual infantil precisa ir além da punição dos criminosos e alcançar ações permanentes de conscientização e prevenção.“É preciso fazer campanhas, orientar pais, fortalecer os canais de denúncia e trabalhar a prevenção dentro das escolas e das famílias. Grande parte desses crimes acontece dentro do próprio lar, praticada por pessoas próximas das vítimas”, disse.O estudo citado pelo parlamentar foi divulgado pelo Unicef em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e aponta que mais de 31 mil casos de estupro contra vítimas de até 19 anos foram registrados na Amazônia Legal entre 2021 e 2023. Segundo o relatório, fatores como vulnerabilidade social, dificuldade de acesso a serviços públicos e ausência de estruturas especializadas contribuem para o agravamento do cenário na região.
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